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Governo recua e extingue “taxa das blusinhas” após desgaste político e pressão pré-eleitoral

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou nesta semana o fim da chamada “taxa das blusinhas”, encerrando a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida, anunciada por meio de Medida Provisória, é vista nos bastidores políticos como uma tentativa clara de conter o desgaste provocado pela […]


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou nesta semana o fim da chamada “taxa das blusinhas”, encerrando a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida, anunciada por meio de Medida Provisória, é vista nos bastidores políticos como uma tentativa clara de conter o desgaste provocado pela repercussão negativa do tributo e recuperar popularidade às vésperas da corrida eleitoral de 2026.

Criada em 2024 dentro do programa Remessa Conforme e defendida inicialmente pela equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda, a taxação foi apresentada como uma forma de combater fraudes e equilibrar a concorrência com o varejo nacional. No entanto, a cobrança rapidamente se tornou um dos símbolos mais impopulares da política tributária do atual governo.

Nas redes sociais, a medida passou a ser duramente criticada por consumidores, especialmente jovens e famílias de baixa renda, que utilizam plataformas internacionais para compras de itens mais baratos. O apelido “taxa das blusinhas” ganhou força justamente por traduzir a percepção popular de que o imposto atingia diretamente o consumo cotidiano da população.

O recuo acontece em um momento delicado para o Palácio do Planalto. O presidente enfrenta oscilações nos índices de aprovação e um desgaste acumulado diante da percepção de aumento massivo da carga tributária em diferentes setores da economia.

Nos bastidores, interlocutores do governo admitem que a revogação tem forte peso político e busca neutralizar críticas que vinham sendo exploradas por adversários, especialmente no ambiente digital, onde o tema se tornou munição recorrente contra a gestão petista.

A decisão, porém, não foi bem recebida por setores da indústria e do varejo nacional, que acusam o governo de ceder à pressão popular e abrir vantagem para plataformas estrangeiras em detrimento da produção brasileira. Entidades empresariais alertam para possíveis impactos na competitividade e perda de arrecadação.

Para analistas, o episódio expõe uma contradição do governo: ao tentar ampliar arrecadação e reforçar o discurso de justiça tributária, acabou atingindo justamente uma parcela do eleitorado sensível ao aumento do custo de vida.

O fim da taxa representa, na prática, uma derrota política para a equipe econômica e reforça a leitura de que, diante da aproximação das eleições e da queda de popularidade, o Planalto optou por aliviar a pressão sobre o bolso do consumidor para tentar recuperar capital político.

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