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Tocantins

Indígena que saiu da UFT para cursar doutorado na França morre aos 30 anos

Mairu Hakuwi Kuady Karajá era referência na defesa dos povos indígenas e construiu trajetória acadêmica reconhecida nacional e internacionalmente A morte do pesquisador indígena Mairu Hakuwi Kuady Karajá, de 30 anos, provocou grande comoção entre lideranças indígenas, pesquisadores e instituições de ensino em todo o Brasil. Reconhecido por sua atuação em defesa dos povos originários, […]


Mairu Hakuwi Kuady Karajá era referência na defesa dos povos indígenas e construiu trajetória acadêmica reconhecida nacional e internacionalmente

A morte do pesquisador indígena Mairu Hakuwi Kuady Karajá, de 30 anos, provocou grande comoção entre lideranças indígenas, pesquisadores e instituições de ensino em todo o Brasil. Reconhecido por sua atuação em defesa dos povos originários, Mairu construiu uma trajetória marcada pela superação, pela valorização dos saberes tradicionais e pela busca por maior representatividade indígena nos espaços acadêmicos.

Natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã, no estado de Mato Grosso, Mairu pertencia ao povo Iny Karajá e era considerado uma das principais referências indígenas de sua geração. Atualmente, cursava doutorado em Direito em Paris, na França.

Antes de alcançar reconhecimento nacional e internacional, enfrentou diversas dificuldades para continuar os estudos. Durante o ensino médio, após conquistar uma bolsa parcial em uma escola particular de Goiás, trabalhou na limpeza de banheiros para complementar os custos da formação.

A dedicação aos estudos o levou à graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). Posteriormente, concluiu mestrado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e ingressou no doutorado na França.

Ao longo da carreira, atuou como pesquisador, palestrante e defensor dos direitos indígenas. Participou do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (OBIND/UnB), coordenou projetos voltados às comunidades tradicionais e desenvolveu trabalhos para preservação da língua Inyrybè, do povo Iny Karajá.

Em diversas ocasiões, destacou a importância da presença indígena nos espaços de formação e decisão. Em entrevista concedida em 2024, afirmou que sua trajetória representava uma inspiração para seu povo e para as novas gerações indígenas.

O Ministério dos Povos Indígenas lamentou a morte do pesquisador e ressaltou sua contribuição para o fortalecimento das identidades indígenas, das línguas originárias e dos conhecimentos ancestrais.

Mairu deixa um legado de resistência, educação e protagonismo indígena, inspirando jovens de diferentes povos a ocuparem espaços de formação, pesquisa e representação em todo o país.

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